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FAQ - Costdrivers
quarta-feira, 11 de dezembro, 2013

Subsídio ao preço do óleo combustível mina o gás



Sem reajuste desde julho de 2012, o óleo combustível se junta à lista de derivados de petróleo vendidos no Brasil com defasagem em relação às cotações internacionais. Segundo estimativa do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a diferença chega hoje a 15%. A falta de clareza sobre a política de preços para o produto preocupa o mercado de gás natural, principal concorrente do combustível. Atualmente, segundo especialistas, apenas a fórmula de reajustes do querosene de aviação (QAV) tem acompanhado as cotações internacionais. Assim como o QAV, o óleo combustível obedecia a uma fórmula de reajustes até o ano passado, mas passou a ter o preço controlado diante da perspectiva de maior geração térmica no país. No dia 30 de setembro, último dado disponível pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o produto era vendido nas refinarias da Petrobras, em média, a R$ 1,074 por quilo. Desde julho de 2012, tem oscilado entre os R$ 1,04 e R$ 1,08, por quilo, de acordo coma ANP. Usado para a geração de calor em indústrias, o produto é concorrente direto do gás natural, cujos preços acompanham as cotações internacionais, principalmente nos mercados que consomem gás boliviano. Segundo o Boletim Mensal de Acompanhamento do GásNatural elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), o óleo combustível está hoje mais barato do que o gás em São Paulo e para pequenos consumidores no Rio — segundo especialistas, mesma situação vivem os estados do sul do país. Na Bahia, terceiro estado pesquisado pelo ministério, a vantagem é do gás. “Enviamos uma carta para a direção da Petrobras para tentar buscar uma solução para esse problema”, diz o presidente-executivo da Associação Brasileira das Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Augusto Salomon. “Não estamos conseguindo mais convencer clientes a trocar de combustível”, completa. Hoje, a estatal dá um desconto de 30% no preço do gás natural, que já é insuficiente, em alguns estados, para manter a competitividade. “Se no ponto de entrega, o gás está mais caro do que o óleo, não chegará competitivo ao consumidor, já que o custo de transporte é maior”, comenta o coordenador de Energia Térmica da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Ricardo Pinto. “Mais uma vez, estamos subsidiando um combustível sujo em detrimento de um combustível mais limpo”, diz o diretor do CBIE Adriano Pires, lembrando que a gasolina ganhou mercado do etanol nos últimos anos por conta do represamento de preços para evitar pressão inflacionária. O consumo brasileiro de óleo combustível vinha caindo desde 2007, com um pequeno repique Em 2012. Este ano, registra alta de 39% até outubro, atingindo 4,14 milhões demetros cúbicos. PREÇO CONGELADO R$1,074 Preço médio cobrado pela Petrobras pelo quilo do óleo combustível A1, menos poluente, segundo pesquisa da ANP. Não inclui impostos estaduais. 15% Defasagem no preço do óleo combustível com relação ao mercado internacional. Último grande aumento foi realizado em junho de 2012 Postos ampliam margens com alta da gasolina Os preços da gasolina e do diesel tiveram alta de 2,95% e 4,85%,em média no país, na primeira semana após os reajustes anunciados pela Petrobras. O repasse, detectado pelo Levantamento Semanal de Preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ficou em linha comas expectativas dos analistas. Os dados, porém, indicam aumento da margem de lucro dos postos revendedores no mesmo período. Segundo a pesquisa da ANP, a gasolina fechou a semana passada custando, em média, R$ 2,993 por litro. Já o óleo diesel comum chegou a R$ 2,445 após o reajuste. O diesel S-10, destinado às regiões metropolitanas, tem preço médio de R$ 2,542 por litro. O levantamento de preços detectou ainda alta de 2,62% no preço do etanol vendido nos postos brasileiros na última semana, na comparação coma semana anterior. A elevação é explicada pelo setor como um dos impactos da proximidade coma entressafra na colheita de cana-de-açúcar A primeira pesquisa de preços após os reajustes detectou também aumento nas margens de lucro dos postos, de 10% no caso da gasolina e 24%no caso do diesel. A expectativa no mercado é de nova alta no preço da gasolina na próxima semana, com efeito do aumento de preços do etanol e da recomposição de estoques pelos postos.
Brasil Econômico - (10/12/2013)